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Segunda-Feira , 31 de Julho de 2017

Os Terroirs do Gamay

Encontramos 12 denominações no Beaujolais, sendo 10 crus.

Ao norte do vinhedo, os 10 crus formam o destaque da região. Com potencial de guarda entre 7 e 10 anos, eles testemunham o sucesso da aliança entre um solo granítico e uma casta, o gamay, tinto de suco branco que encontra neste terroir as características necessárias para atingir sua plenitude.

Como extensão natural dessas prestigiosas denominações, encontram-se os Beaujolais Villages, no coração do Beaujolais. Nas encostas nascem vinhos generosos e frutados. Mais ao sul, bem perto da cidade de Lyon, em meio a paisagens que lembram a Toscana, os Beaujolais têm frescor e amplitude na boca.

12 Denominações:

Brouilly: o monte Brouilly produz vinhos carnudos. No nariz, exalam aromas de frutas vermelhas e oferecem notas minerais na boca. Os solos são graníticos e ácidos. È a maior denominação dos crus do Beaujolais.

Chénas: plantados em areia granítica, os Chénas são raros, típicos e generosos. A cor é rubi com reflexos granados e seus aromas florais e de madeiras enriquecem após alguns anos de guarda.

Chiroubles: Tenro, frutado, saboroso, o Chiroubles com sua cor luminosa e seus aromas florais é o mais guloso dos crus. Suas encostas íngremes formam as mais grandiosas paisagens do vinhedo.

Côte de Brouilly: Nas encostas do monte brouilly nascem vinhos elegantes, minerais, de cor púrpura, com aromas de frutas frescas e de íris. A geologia do terroir, de granito andesito, sela a elegância desses vinhos.

Feurie: Há nomes mágicos para designar o tom carmim, a sutileza da violeta, a feminilidade da íris e o sabor crocante das frutas vermelhas. O granito rosa da denominação lhe confere toda sua identidade.

Juliénas: Vigorosos e de personalidade, os vinhos de cor rubi intenso oferecem amplos aromas de pêssego, frutas vermelhas, flores e especiarias. Caracterizada pela deversidade dos solos, a denominação é principalmente constituida de xisto e granito.

Morgon: Seu terroir, composto de camadas de xistos e granitos intercalados, é a assinatura desses vinhos carnudos de forte personalidade. A cor granada intensa, os perfumes de frutas maduras e de caroços de frutas são as características desta denominação.

Moulin-à-vent: Nascem em solos graníticos com veias de manganês, o que explica em parte que esses vinhos de guarda sejam estruturados, intensos e tânicos. Cor rubi escuro e aromas de íris, rosa murcha, especiarias e frutas maduras; esta denominação identifica-se ao moinho (moulin) pelo caráter versátil.

Régnié: A denominação é plantada em solos  graníticos arenosos. Pouco tânicos, redondos e equilibrados, assim são os Régnié com sua cor cereja de reflexos violáceos e seus aromas de frutas vermelhas.

Saint-Amour: Vinho com vivacidade, delicado e elegante, de cor rubi e com aromas de kirsch e de especiarias. Esse cru, de nome charmoso, situa-se ao extremo norte do vinhedo, em solos de silício de argila.

Beaujolais Vilages: Os 38 "villages" que compõem esta denominação são os reflexos desses vinhos feitos para serem compartilhados. Vinhos crocantes marcados por uma cor cereja e aromas de frutas como cassis e morango. Esta denominação também se divide em Beaujolais Villages Nouveaux, Beaujolais Villages rosés e Beaujolais Villages brancos.

Beaujolais: Sinônimos de guloseimas e de frescor, eles são ideais para o verão. Generosos no olfato e no paladar, a denominação também inclui Beaujolais Nouveau, Beaujolais rosé e Beaujolais branco.

A Videira e a Vinificação:

Os vinhos são mono-varietais. A maioria tintos, oriundos da casta Gamay, casta quase exclusiva do Beaujolais. Dos 36 000 hectares plantados no mundo, mais de 15 000 se encontram na região do Beaujolais. O chardonnay, em nítida expansão, cobre 270 hectares, e oferece vinhos brancos com aromas de frutas frescas e flores brancas. 

A região do Beaujolais se caracteriza por suas vinhas plantadas em encostas, muito apertadas, com poda curta. A poda longa é usada para os Beaujolais. Todos os Beaujolais são classificados em AOC (denominações ou apelações).

A vinificação dos tintos é realizada com os cachos inteiros seguindo os princípios da macerão semi-carbônica. A duração da fermentação varia em função da denominação e das características que o produtor deseja obter. Exceto os "primeurs" isto é, os Beaujolais Nouveaux, tradicionalmente comercializados na terceira quinta-feira do mês de novembro. 

 

Fotografias realizadas durante o evento e treinamento Inter Beaujolais em Florianópolis no dia 28 de julho de 2017. Degustação e almoço no restaurante Le Pas du Roy em São José.